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Alunas de Medicina apresentam trabalhos de Iniciação Científica no 17º World Congresso on Pain


29
outubro 2018

Aconteceu entre 12 e 16/09, em Boston, Massachusetts, o 17º Congresso Mundial de Dor (17º World Congresso on Pain), sediado pela Associação Internacional Para Estudos da Dor – conhecida por sua sigla em inglês IASP.

Considerado o maior congresso do mundo e sendo conhecido por sua importância na área da dor, o Congresso Mundial de Dor reúne a cada dois anos especialistas do mundo todo para discutir e apresentar resultados que mudam o curso de como se pesquisa, aborda e trata a dor. Por ser um congresso interdisciplinar e multiprofissional, agrega pessoas das diferentes áreas do conhecimento, como ciências da saúde, ciências humanas e engenharias, por exemplo.

Nesse ano, o congresso, em seus cinco dias, contou com a participação de 130 países, atraiu três vezes mais participantes que qualquer outro evento de dor no mundo, recebeu dois mil pôsteres para apresentação oral e ofereceu 22 cursos de atualização.

Sob a supervisão do Prof. Dr. Ricardo Galhardoni e com o apoio da Unicid, as alunas Fernanda Montroni e Amanda Adaime, da 6ª etapa, e Geovanna Jorge e Alessandra Facchina, da 8ª etapa, participaram do congresso apresentando os trabalhos que desenvolvem na universidade e que envolvem o tema dor — considerada o 5º sinal vital pela Organização Mundial de Saúde, os mecanismos de dor e suas possíveis formas de tratamento ainda não estão totalmente esclarecidos.

Alessandra Facchina, que é bolsista FAPESP, apresentou parte de seu estudo que busca entender como a estimulação magnética transcraniana pode influenciar os batimentos cardíacos. Há décadas a ligação entre o funcionamento do cérebro e coração tem despertado interesse dos pesquisadores pelo mundo.

Geovanna Jorge apresentou os dados da pesquisa Efeitos do condicionamento modulado da dor (CPM) sob o funcionamento da variabilidade da frequência cardíaca, outro nome para compreender o funcionamento e dinâmica cardíaca nas diferentes situações do cotidiano. Essa técnica se dispõe a investigar os efeitos dos batimentos R-R minuto a minuto e “traçar um perfil” do coração do sujeito. O CPM, por sua vez, testa a via de dor do corpo humano e, por esse motivo, pode alterar os batimentos cardíacos. Caso isso se comprove, a relação entre a circuitaria do cérebro e a inervação do coração poderá ser explicada mais detalhadamente.

Por sua vez, as alunas Fernanda e Amanda apresentaram o trabalho que tenta demonstrar como a ocitocina, um hormônio produzido pela mulher, pode alterar a resposta dolorosa ao CPM.

Para o Prof. Galhardoni, que coordena o grupo de pesquisa em dor, o ponto alto do congresso para as estudantes é a possibilidade de discutir os painéis com grandes nomes da área (muitos pesquisadores e clínicos vão a este congresso apenas para ver os pôsteres): “é um momento único de crescimento profissional e pessoal vivenciado pelas estudantes. Ao apresentarem os pôsteres, elas estão representando o nosso grupo de trabalho”.

Já a estudante Alessandra ressalta que a experiência de participar e apresentar um trabalho no Congresso Mundial de Dor foi incomparável: “a começar pela dinâmica das aulas e apresentações, que foi diferente do que já havia visto em outros congressos, até a experiência de viajar em função de um trabalho, tudo foi muito gratificante. Da abertura do congresso — na qual dançamos com representantes de diversos países —, até o fechamento dele, vivemos uma intensa troca de conhecimentos e cultura. Nosso projeto vem sendo desenvolvido desde dezembro de 2015, portanto considero esta viagem não somente a realização de algo incrível, mas também um reconhecimento pelos três anos de trabalho duro. Agradeço ao meu orientador, Prof. Dr. Ricardo Galhardoni, às minhas colegas de pesquisa e aos voluntários do projeto pelo apoio e incentivo”.

Por fim, as alunas Fernada e Amanda descreveram a experiência do congresso como incentivadora: “a participação e apresentação do nosso trabalho no congresso foi muito enriquecedora, uma vez que pudemos compartilhar resultados, estudos e experiências com profissionais e estudantes do mundo todo. Soma-se, também, o fato da experiência ter sido vivenciada em outro país, onde nos deparamos com obstáculos de idioma, costumes, sistema de saúde e demandas distintas das que estamos acostumadas. Durante as apresentações, notamos particular interesse pela metodologia do trabalho. Tivemos contato com outros pesquisadores que também avaliam o CPM, das mais diferentes formas, e que não conheciam nosso método. Também foram dadas sugestões baseadas em resultados obtidos em outros estudos e que podem contribuir para que os resultados sejam mais completos”.