Pesquisa testa alternativa natural para combater infecções em bovinos

31/07/2026

Uma pesquisa desenvolvida por cientistas do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal da UNIFRAN identificou um potencial tratamento natural para combater a mastite bovina, uma das infecções mais comuns e prejudiciais da pecuária de leite. 

O estudo, publicado na revista internacional Antonie van Leeuwenhoek (abr. 2026), avaliou o uso de uma formulação feita com óleo essencial da planta Palo Santo, obtendo sucesso inclusive contra uma superbactéria resistente aos antibióticos tradicionais.

O tema ganha extrema urgência econômica, já que a União Europeia anunciou que poderá suspender as exportações de produtos de origem animal do Brasil a partir de 3 de setembro de 2026 caso o país não comprove a redução do uso de antimicrobianos na criação de rebanhos. 

Tecnologia de ponta

A pesquisa foi desenvolvida pela cientista Amanda Marques Figueiredo durante o mestrado em Ciência Animal, sob a orientação do Prof. Dr. Silvio Almeida Junior.

Para tornar o tratamento viável, a equipe de investigação utilizou tecnologia de ponta para transformar o óleo essencial da planta Palo Santo em uma nanoemulsão, técnica que organiza o óleo em gotículas microscópicas para aumentar sua durabilidade e facilitar o combate aos microrganismos causadores de infecções. 

A formulação foi testada em laboratório contra dez tipos de microrganismos isolados de amostras de leite de propriedades leiteiras. Os resultados mostraram que o produto natural foi altamente eficaz contra bactérias do tipo Staphylococcus aureus, incluindo uma linhagem resistente a medicamentos (MRSA). 

“Nosso estudo mostra que uma formulação baseada em produto natural conseguiu atuar contra alguns dos principais microrganismos relacionados à mastite, inclusive uma cepa resistente. É um ponto de partida para novas pesquisas, não uma recomendação de uso imediato no campo. A redução responsável dos antimicrobianos depende de prevenção, diagnóstico preciso e alternativas validadas cientificamente”, pondera a pesquisadora”, explica Amanda.

Diagnóstico específico

Apesar dos resultados promissores, o efeito do produto não foi uniforme, apresentando baixa sensibilidade contra bactérias como Escherichia coli, Corynebacterium bovis e Streptococcus uberis, o que reforça a necessidade de um diagnóstico veterinário preciso para cada caso.

Em testes preliminares com modelos de laboratório, a formulação não apresentou sinais de toxicidade ou efeitos colaterais graves, além de demonstrar ação no alívio da dor.  

Contudo, os autores alertam que o estudo ainda não foi testado diretamente em vacas, não definindo doses comerciais ou o impacto de resíduos no leite, o que significa que o produto ainda não está autorizado para uso prático nas fazendas e exige novas etapas de pesquisa antes de chegar ao mercado. 

A iniciativa faz parte de um esforço maior da UNIFRAN para desenvolver estratégias que reduzam a dependência de antibióticos comuns, alinhando-se ao conceito global de “Saúde Única”, que integra a saúde animal, humana e ambiental.

O PPG em Ciência Animal também investiga o potencial de outras substâncias naturais, como o óleo essencial de canela.

Embora a descoberta não resolva imediatamente as barreiras alfandegárias com a Europa, sinaliza o compromisso da ciência nacional em oferecer soluções de médio e longo prazo para que a pecuária brasileira continue competitiva e produza alimentos mais seguros!